terça-feira, 3 de maio de 2011

o dia...

Chegou as nove em ponto, ponho um pé fora do cama e sinto uma enorme pressão sobre mim mesma. Não aguento e deixo-me cair. Sento-me na cama, olho em meu redor, e sinto as minhas pernas a tremer. Sentia que precisava de forças, sentia que era a altura de um tudo ou nada. Assim levantei-me e vesti-me calmamente. Saio pela porta da rua, e deparo-me  no meio de uma rua imunda e cheia de gente a correr de um lado para o outro. Foi num dia completamente normal e agitado de uma cidade. Toda a gente corria, uns porque estavam atrasados para o trabalho e outros porque simplesmente corriam. Toda a gente acenava aos conhecidos, aos amigos e até aos desconhecidos, e eu? Eu parei no meio de todo aquela agitação, com um nervosismo que fazia as minhas pernas congelarem. Não me movia, tinha medo , não sabia como reagir . Era estúpido baixar os braços e render-me a tudo aquilo, render-me a estes sentimentos que só tu mos deste. Render-me a este desafio que se pôs em minha frente sem eu ter a única opção de escolher "não não quero passar por isto". Mas era o momento, e não podia ficar para depois, essa não era a opção. Segui o meu caminho, no meio daquela agitação matinal num dia demasiado quente para aquele mês de Abril, e sem paragem, nem com tentações de desistir , finalmente cheguei à tua porta. Toquei , abriste. Era tarde demais para voltar atrás. Estavas à minha frente. Com o teu jeito tal como na primeira vez. No fundo sabia que sentias uma tensão entre nós. A distancia apoderou se de nós naquela manhã. E as palavras custavam a sair, sofria por dentro, mesmo não o demonstrando. Eu olhava para ti, e sorria. Conversas banais iniciaram aquele discurso interminável, queria ter opções, mas não tinha. Mas finalmente abrira-te o meu coração...Não queria que uma única lágrima me inunda-se os olhos e percorre-se a minha cara, mas foi incontrolável. Não suportava mais aquela indiferença que se tinha apoderado de nós dois, aquele desprezo que demonstravas mais a cada dia que passava. Afastas-te-nos. Deixas-te de acreditar em nós...  Sem explicações, sem perguntas, ouviste-me até ao fim. E por fim disseste: " Que queres fazer então?". Olhei te, sem uma palavra, mas as forças esgotaram-se, e o meu olhar desviou-se. O silêncio apoderou-se do tempo, daquele quarto, de nós. Soubeste delicadamente cortá-lo e mostraste-te inseguro, eu senti. Quis olhar-te, mas não era capaz, só ouvia a tua voz na minha cabeça : "... seguimos cada um o seu caminho..." . Era essa a frase que fez o meu coração cair. Sabia que aquele momento ia chegar, mas não sabia o quanto iria custar. Custou. Mas ambos concordámos; seria o melhor? Não sei, eu gostava de ti, queria-te abraçar, mas não podia. 
Despedi-me de ti com um simples beijo na cara , e levei um teu comigo. As minhas pernas tremiam, queria me ir embora dali. Eu manti-me intacta, mas não por muito tempo. Bastou fechar a porta que separava o teu mundo do meu e... foi impossível manter a minha cara limpa de lágrimas. Foi impossível não cair. Foi impossível não resistir àquela despedida. Olhei mais uma vez para trás... uma última vez e naquele dia tudo se tornara num "nada"...


                                    
depois de todos estes passos, depois de toda a confiança e cumplicidade partilhada, estragas-te tudo!

1 comentário:

  1. Marta é triste quando isto acontece mas... tu mostras ser bastante forte pois aparentas já ter vivido bastante... e o dia... chega não só nestes casos mas até noutros bem mais dolorosos e o que podemos fazer? nada... continuar a caminhar e com esses dias aprender que temos ainda muito para viver e conhecer. Espero que continues a escrever tão bem como escreves mas que também escrevas e partilhes a tua alegria... Deixo-te uma frase feita por mim espero que gostes:

    "Eu não comando o futuro...Acompanho o Destino"

    Rahim

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