Já foi há dois anos, quando por mera ironia do destino, a vida cruzou os nossos rumos. Não de uma maneira muito saudável, mas da maneira que nos fez tornar o que somos hoje. Eu vou te relembrar como tudo começou…
Eras supostamente mais uma rapariga neste mundo cruel, eras só mais uma rapariga que pertencia ao passado de um alguém, que na altura por mais insignificante fosse para mim, fazias-me sentir tremula com a tua existência. Aliás eu iria ocupar um lugar que outrora era teu, um refúgio que outrora te pertencia, um coração quente que outrora era parte de ti. Tinha plena consciência do que tinhas sido e do que eras… no início, isso não me fazia a mínima diferença, mas o tempo foi passando e começaste te a tornar uma barreira nos caminhos por onde andava… queria dar um passo e lá estavas tu para me impedir, queria dizer uma palavra e lá estavas tu para me calar de certa forma… senti-me angustiada vezes sem conta, comecei a criar uma raiva constante cada vez que ouvia falar de ti, cada vez que sentia que eras um perigo, cada vez que tinha medo de ti. Sim tinha medo de ti, um medo ingénuo, um medo de não ser mais forte do que tu, um medo de desistir. Eu não queria fraquejar, eu só queria me mostrar superior a tudo o que estava a acontecer. Relembro a noite em que percebi que as coisas não iam ser fáceis, foi uma noite de lágrimas, de angústia disso não tenhas dúvidas… quando ele virou se para mim e disse “ ela é importante, e ainda não a esqueci marta…” … naquele momento o meu telemóvel caiu, fiquei frágil, fiquei sem chão… afinal tinhas sido superior, e só nesse momento é que me apercebi. Não fui capaz de dizer uma única palavra, não fui capaz de agir… só queria que aquela noite passasse, e que quando amanhecesse, pudesse encará-lo olhos nos olhos, e sentir a verdade.
Meses passaram, até que voltamos a falar, tentas me abrir os olhos, compreendi te, mas não queria aceitar, por mais que fosse o correcto na altura, eu não era capaz de aceitar nem a tua, nem a opinião de ninguém. Parvoíce, eu sei.
Começamos a criar algo estranho… parecia que havia uma linha que nos unia de certa forma. Uma linha que resistiu a algumas desavenças que ainda ocorreram. Após isso a linha tornou se forte e resistente. Após isso, por mais que tentassem ninguém conseguira quebrar essa linha. Sabes bem as vezes que já nos tentaram afastar, sabes bem por tudo o que tivemos que ultrapassar para chegar onde chegámos hoje, juntas. Começamos a criar uma dependência, começamos a criar um laço de pura amizade, que hoje é invejável, que hoje espanta a muitos e desagrada a outros. Começamos a ser o que ninguém alguma vez pensara antes: AMIGAS, foi no que nos tornámos… uma amizade de irmãs, uma amizade que evolui a cada dia. Fazes parte do meu dia-a-dia, faço parto do teu. Fazes parte do meu mundo e eu, parte do teu. Ainda hoje olho para trás e pergunto me: “Como foi possível criarmos este laço depois de todo o ódio, raiva, inveja que tivemos?”. Foi incrível a maneira como nos entrelaçamos nesta amizade, neste respeito, neste orgulho mútuo.
Um dia prometo contar esta história aos meus filhos e netos, uma história em que amizade não tem inicio nem fim, uma história em que não importa como começa, mas sim como acaba.
Amo-te Sónia Filipa Almeida Veiga <3
ps. obrigada por não teres desistido… obrigada!
« parecia que havia uma linha que nos unia de certa forma. Uma linha que resistiu a algumas desavenças que ainda ocorreram. Após isso a linha tornou se forte e resistente. »
ResponderEliminarLinha essa, que é a nossa vida, é o nosso presente e o nosso futuro, juntas !
Linha essa que não há tesoura que quebre !
Amo-te Marta Sofia Câmara Martins, és a linha da minha vida que separa o passado do presente. ♥
A M O !
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